Marcelo Magoga

Complexo de Edipo: uma explicação sucinta

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Complexo de Édipo é um dos conceitos fundamentais de Freud, na Psicanálise.

Este conceito refere-se a uma fase no desenvolvimento infantil em que existe uma “disputa” entre a criança e o progenitor do mesmo sexo pelo amor do progenitor do sexo oposto.

Complexo de Édipo foi introduzido por Freud na Psicanálise, ele baseou-se numa tragédia da mitologia grega de Sófocles (Século V a.C.). Nela, Laio e Jocasta tiveram um filho, Édipo, que mata o pai para ficar com a mãe, terminando com o suicídio de Jocasta e a automutilação de Édipo.

O Complexo de Édipo é fundamental e essencial no desenvolvimento infantil. Esta é dada como Universal, isto é, comum a todos os seres humanos, apesar de existirem alguns estudos que questionam essa universalidade.

O Complexo de Édipo, caracteriza a separação entre a criança e os progenitores, que até ao momento isso não se verificava.

Por outras palavras, quando a criança nasce, esta está completamente ligada aos pais, pela satisfação das necessidades, cuidados etc. A criança está completamente dependente dos pais, numa relação fusional, visto que a criança não existe sozinha e separada dos pais. Os pais garantem a satisfação das suas necessidades e a total proteção do meio.

A criança cresce assim numa relação triangular: filho, pai e mãe, crescendo com a ideia que os pais, fazem parte de si, devido a extrema dependência. Vendo-os como um mecanismo “seu” para satisfazer as suas necessidades.

O Complexo de Édipo vem então “frustrar” a criança, marcando a separação entre ela e os pais, fato que acontece por volta dos 3 e até os 6 anos, neste momento a criança percebe que não é o centro do mundo, que o amor não é unicamente para si e que os pais não a podem proteger completamente do mundo.

Percebendo que os pais possuem uma relação e não partilham consigo, pelo contrário, diminuem o amor e proteção face ao início, algo que é normal. A criança responsabiliza internamente o progenitor do mesmo sexo pela separação, ambicionando o amor e proteção total como tinha no início pelo progenitor do sexo oposto.

Assim, nesta fase, a criança dirige sentimentos hostis em relação progenitor do mesmo sexo ou a qualquer outra coisa que desvie o amor e atenção do progenitor do sexo oposto. Porém, ao mesmo tempo que o menino é hostil para o pai porque lhe tira o amor da mãe, o menino ambiciona ser como o pai, identificando-se com o mesmo, visto que este conseguiu ter o amor da mãe.

Porém, atualmente verifica-se muitos casos que “dificultam” o Complexo de Édipo, isto é, no caso na inexistência física: divorciado, separado, viúvo etc. ou psicológica: negligente, submisso, etc. do progenitor e no caso de não se impor limites e/ou barreiras entre mãe e filho, por diversas razões.

S. Freud afirma que quando o Complexo de Édipo fica “mal resolvido” daí podem surgir consequências como: a identificação com o progenitor do sexo oposto, a homossexualidade; comportamento submisso, dependência excessiva ao sexo feminino, etc., já que o menino sem pai, vai querer ser como a mãe.

No extremo oposto, temos o menino que teve uma mãe, embora possa o pai estar presente, incapaz de se “separar” e de se impor limites a si e seu filho, passa a opressora e controladora, massacrando-o psicologicamente.

O menino vai então replicar e generalizar a todas as mulheres o que vivenciou com a mãe. Assim, não conseguirá amar as mulheres, curiosamente Freud afirma que pode tornar-se também homossexual, não por querer ser como uma mulher, mas por não conseguir amá-la, mostrando pouco interesse e desprezando o sexo oposto.

Por curiosidade, nas biografias de serial killers, notam-se frequentemente Complexos de Édipo mal resolvidos (progenitores inexistentes, submissos, etc.).

No filme "Psicose" (Psycho, Alfred Hitchock, EUA 1960) tem em seu enredo esse assunto quanto ao comportamento e psique do personagem Norman Bates (Anthony Perkins), dentre outras perturbações e neuroses graves que desenvolve na trama, vale a pena assistir esse clássico e entender um pouco destas transformações. Obviamente que o personagem assassino tem uma psique cindida e bastante complexa por conta de seu passado em família.